sábado, 15 de julho de 2017

Morador de rua que passa em 1º lugar em concurso público



O baiano Valter Fonseca dos Santos, 41 anos, saiu de Ilhéus há 16 anos para realizar o sonho de conseguir um emprego fixo na cidade mineira de Patos de Minas. Mas, assim que o seu primeiro trabalho em uma lavoura de tomates terminou, ele foi para a rua. Mas sua história tem um final feliz, ele passou em um concurso público em Minas Gerais.

“Passei por muito preconceito, tanto pela situação de rua que eu me encontrava como também pela minha cor. Várias vezes fui abordado pela polícia, perseguido e agredido por populares. Até o colchão que usava para dormir foi queimado. A vida nas ruas não é nada fácil”, contou ao G1.
O fato de não ter um endereço fixo diminui suas chances de arrumar um trabalho fixo. Por isso, para sobreviver, ele fazia uns “bicos” (trabalhos pequenos esporádicos).

Certo dia, Valter conheceu o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). Foi através da diretora de proteção especial, Maria Augusta de Lacerda Ferreira, que a ideia de fazer o concurso (o edital abriu em maio deste ano) veio. “Maria Augusta foi quem me apresentou o Creas e tentou por diversas vezes conseguir um emprego para mim. Sem sucesso, logo que o edital foi divulgado ela me incentivou a participar da concorrência. Eu pensava que não seria capaz, mas com o apoio que recebi resolvi tentar”, contou.

A rotina de Valter mudou completamente após fazer a inscrição do concurso público da Prefeitura de Patos de Minas para o cargo de coveiro. Ele optou porque já tinha o ensino médio e a profissão sempre chamou sua atenção.
“Eu tive que me dedicar muito. Estudava nos bancos da praça ou em qualquer lugar que eu estava. Pelo menos quatro vezes no dia eu pegava nos livros e nos materiais que a Maria Augusta conseguiu para que eu estudasse. Lembro que ela me exigiu, ‘em troca da ajuda’ o 1º lugar do concurso e foi isso que aconteceu. Tive quatro meses para me preparar”, afirmou.

O resultado definitivo da prova objetiva com Valter no topo da lista foi divulgado no dia 8 de dezembro. Ele teve a concorrência de sete candidatos por vaga (total de 21 inscritos). “De 30 pontos eu tirei 26. Eu não esperava por isso, pois achava que os demais candidatos eram mais capacitados que eu. Essa não é uma conquista só minha, tive a ajuda de Deus e do pessoal do Creas, que ‘pegou no meu pé’, ‘puxou minha orelha’ e me fez acreditar em algo que talvez nem eu mesmo tinha crença”, disse.

Valter não vê a hora de ser convocado para assumir seu novo posto de trabalho, que tem remuneração prevista de R$ 805,18, mais benefícios como vale-alimentação, vale-transporte e plano de saúde. Ele está feliz da vida e já sabe o que vai fazer com o primeiro salário. “A primeira coisa que vou fazer com meu salário é alugar uma casa para morar. Tive a chance e vou aproveitá-la bem. Quero ainda construir uma família e ser feliz, pois eu acredito que eu mereço”, concluiu.

Fonte: Razões para acreditar


Da Redação do Blog Paulo Benjeri
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